Em Mateus 22:16 diz: “Mestre, sabemos que és verdadeiro, e que ensinas segundo a verdade o caminho de Deus, e de ninguém se te dá, porque não olhas a aparência dos homens”. Jesus não olha para a aparência do homem e é Ele mesmo que intitula-se como sendo a verdade. Mas mesmo em face de tantos ensinamentos deixados por Cristo através dos Evangelhos, o homem vive o Cristianismo de forma errônea quando olha para os homens observando suas doutrinas e vivendo sem alimentar-se da Palavra. Ora, que Cristianismo é esse que aponta para o próximo sem compaixão? Jesus ensinou que deve-se amar ao próximo como a si mesmos. Como ser o sal da terra e a luz do mundo sendo iguais a terra e ao mundo? Quem é nascido da carne é carne. Quem é nascido do espírito é espírito. É preciso viver a marca do amor. Na parábola da mulher samaritana no capítulo 4 do Evangelho de João, Jesus ensina a valorizar o que há de melhor na pessoa. No versículo 16 ele diz àquela mulher: “Vai, chama o teu marido e vem cá”. Em seguida, no versículo 17, ela responde: “Não tenho marido”. Jesus então responde (versos 17b e 18): “Disseste bem: Não tenho marido; porque cinco maridos tiveste, e o que agora tens não é teu marido; isso disseste com verdade”. Ele valorizou a sinceridade daquela mulher que não mentiu. Isso é Cristianismo! Viver o amor como Cristo viveu e ensinou.
A conjugação de um verbo em hebraico, parte da 3ª pessoa do singular para a 1ª pessoa. Explicando gramaticalmente assim, o mandamento de amar primeiro Ele (Deus), depois tu (o próximo) e por último “eu”. Esse amor pode ser visto na igreja primitiva (também chamada igreja dos apóstolos referindo-se às primeiras pessoas que se identificavam como cristãs). Alguns usam essa expressão para referir-se aos primeiros povos narrados na Bíblia como filhos de Deus.
Na inauguração da igreja em Jerusalém, após o retorno de Jesus aos céus, os primeiros cristãos viviam unidos e compartilhavam seus bens e a cada dia a igreja crescia em número. Era uma igreja horizontalizada, sem hierarquia, ao contrário da atual igreja que é verticalizada.
Quando a perseguição aos cristãos começou, eles foram dispersos por vários lugares levando assim o evangelho de Jesus Cristo a toda a parte do mundo. Atualmente no cristianismo existem numerosas tradições e denominações, que refletem diferenças doutrinárias por vezes relacionadas com a cultura e os diferentes contextos locais em que estas se desenvolveram. Desde a Reforma com Martinho Lutero, o cristianismo é dividido em três grandes ramos:
· Catolicismo Romano: composto pela Igreja Católica e que hoje congrega o maior número de fiéis;
· Ortodoxia: originária da primeira grande cisma cristã é constituída por duas grandes igrejas ortodoxas – a grega e a russa – que apresentam algumas diferenças entre si, nomeadamente a língua usada na liturgia. Há ainda um terceiro ramo, a igreja de rito Copta, que surgiu no Norte da África;
· Protestantismo: originária da segunda grande cisma cristã (Reforma Protestante), no século XVI, e engloba grande número de movimentos e igrejas distintos.
Martinho Lutero buscando viver a essência do Cristianismo, publicou diversas obras abordando variados temas. Dentre os quais alguns destacam-se devido à relevância por hora da Reforma Protestante. A autoridade da Bíblia é ponto chave nos escritos de Lutero. É através deste argumento que a autoridade do papa (e por conseguinte, suas atitudes) fora questionada. Tendo como base seu grande conhecimento das Sagradas Escrituras Cristãs, Lutero teria enxergado a gritante discrepância entre a Igreja Cristã de seu tempo e a descrita na Bíblia e a partir disso foi aos poucos formulando as doutrinas que ele acreditava serem a transliteração dos princípios vividos pelos cristãos primitivos. O Apóstolo Paulo, que também conferia tamanha autoridade às Escrituras, em II Timóteo 3:16 diz: “Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça”.
Desta maneira renuncia-se toda autoridade da tradição humana, isto é, de tudo aquilo que negasse os ditames bíblicos ou ao menos tivesse a pretensão de igualá-los ou sobrepor-los. O direito canônico, que era praticamente a base de toda a religião católica, é desta forma atacado e há momentos em que Lutero no texto afirma não ter este diante de Deus valor algum (pois ele chega a desaconselhar que suas prescrições sejam observadas). Era muito considerado e estudado em detrimento da própria Escritura sendo, por sua vez, deixada totalmente de lado. Em contrapartida afirma categoricamente Lutero “a lei e o estamento cristão podem subsistir muito bem sem as insuportáveis leis do papa”. E chega até a radicalizar: “O regimento dos apóstolos e do papa rimam tanto quanto Cristo e Lúcifer, céus e inferno...” isto principalmente devido a outra de suas afirmações: “Tu [o papa] forças e distorces a Escritura a teu bel-prazer”. Já encerrando esta parte, é interessante como Martinho Lutero coloca que a partir do batismo, o cristão torna-se livre e sujeito somente à palavra divina, isto apoiado novamente nos escritos do Apóstolo Paulo: “Para a liberdade Cristo nos libertou; permanecei, pois, firmes e não vos dobreis novamente a um jogo de escravidão” Gálatas 5:1.
Martinho Lutero propõe ainda que qualquer cristão pode e deve procurar interpretar a Bíblia (razão pela qual ele traduz entre 1521-23 a Bíblia para o alemão) colocando em xeque a reivindicação do papa como único interpretador ou confirmador de qualquer interpretação. Martinho chama essa pretensão do chefe da Igreja Romana de “fábula desaforadamente inventada”. Segundo Lutero, quem pode dar a verdadeira interpretação da Sagrada Escritura é unicamente o Espírito Santo, citando uma passagem do Novo Testamento na qual Jesus diz: “E serão todos ensinados por Deus” João 6:45.
Com estas afirmativas Martinho Lutero esvaziava o papel do sacerdote e colocava cada crente como um “sacerdote de si próprio” já que todos, a partir desta consciência, poderiam chegar-se a Deus sem medianeiro algum senão o próprio Cristo.
Atualmente o movimento protestante está dividido em três vertentes:
· Igrejas Históricas: resultado direto da reforma protestante. Destacam-se nesta vertente os luteranos, anglicanos, presbiterianos e batistas.
· Igrejas Pentecostais: originárias em movimento do início do século XX são baseadas na crença da presença do Espírito Santo na vida do crente através de sinais, denominados por estes como dons do Espírito Santo, tais como falar em línguas estranhas (glossolalia), curas, milagres, visões etc. Destacam-se nesta vertente a Igreja Assembléia de Deus e a Igreja do Evangelho Quadrangular.
· Igrejas Neopentecostais: originárias na segunda metade do século de dissidências das igrejas pentecostais. Destacam-se nesta vertente a Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Apostólica Renascer em Cristo, Igreja Internacional da Graça de Deus, Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra, Igreja Evangélica Cristo Vive, Missão Cristã Pentecostal e Igreja Pentecostal de Nova Vida.
A Bíblia diz em João 7:18 que “quem fala por si mesmo busca a sua própria glória; mas o que busca a glória daquele que o enviou, esse é verdadeiro, e não há nele injustiça”. Portanto, deve-se examinar as Escrituras para que se possa viver o que Cristo ensinou e Lutero protestou nos seus dias buscando resgatar o verdadeiro Cristianismo. Que por sua vez não é composto de vestes sagradas, permanência em igrejas, orações de boca, jejum, peregrinações e boas ações. Até porque, obras e atos piedosos também o homem mau, fingido e hipócrita pode conhecer e praticar. Pois como fora visto, cada um é sacerdote de si mesmo. Não é o papa, Pastor ou outro líder de entidade religiosa que há de interpretar as Sagradas Escrituras. Todos podem ouvir a voz do Espírito Santo de Deus ao ler e praticar o que Ele mesmo ordenou e prometeu. Para que não vivam como os que dizem praticar a justiça, pois como disse Martin Luther King “Justiça é reprimir com amor aquilo que se rebela contra o amor”. E para saber o que é o amor, é preciso conhecer aquele que o amou primeiro.
Somente Cristo através da sua palavra é capaz revelar o verdadeiro cristianismo. “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até a divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” Hebreus 4:12
Bibliografia
LUTERO, Martinho – Da Liberdade Cristã. Editora Sinodal
KELLEY, Page H. – Hebraico Bíblico. Uma Gramática Introdutória. Editora Sinodal
LEBRUN, François – As Grandes Datas do Cristianismo. Lisboa: Ed. Notícias, 1990
Bíblia Sagrada (Diversas Versões)
