12/16/2011
12/15/2011
Céu Aberto
O navio não tinha bússola. Deixou a ilha de Creta e dirigia-se à Itália. Navegava de leste a oeste no mar Mediterrâneo, entre o sul da Europa e o norte da África. Estavam a bordo o dono da embarcação, a tripulação e os passageiros, ao todo 276 pessoas. Dentre elas havia um oficial do exército romano, alguns soldados, alguns presos e um médico e historiador chamado Lucas. Um dos presos era Paulo de Tarso. O navio tinha saído de Alexandria, no Egito, e levava uma boa carga de trigo para Roma. Um vento forte o tirou da rota e uma tempestade escondeu o sol, a lua e as estrelas por duas semanas. O céu só se abriu depois do naufrágio do barco nas proximidades da ilha de Malta, ao sul da Sicília. Pode-se imaginar o alívio que o céu aberto trouxe para aqueles náufragos depois de tanto tempo de céu fechado (At 27).
A questão é que há outras situações de céu aberto mais importantes do que a de sentido literal. No mesmo livro de Atos há uma referência a céu aberto como metáfora, referindo-se à visibilidade de Deus e de sua glória. Trata-se do episódio envolvendo o primeiro mártir da história do cristianismo. Estêvão estava sendo apedrejado. A dor era enorme. A morte, iminente. Ninguém estava por perto para suspender o apedrejamento. Ele olha firmemente para o céu e vê a glória de Jesus Cristo. Então, Estêvão exclama: “Olhem! Eu estou vendo o céu aberto!” (At 7.56, NTLH). No derradeiro momento da vida, esse fervoroso cristão vê o céu aberto e não a escuridão da maldade humana e da morte.
Há nuvens espessas e muito escuras que se colocam entre a criatura e o Criador. É uma espécie de véu que encobre Deus e as demais realidades. Isso infelicita muita gente porque os priva de Deus -- sem o qual a alma geme o tempo todo. É mais fácil e menos complicado crer em Deus do que não crer nele. No entanto, essa nuvem ou esse véu esconde do homem aquele por quem ele aspira sem saber. Como entender a criação sem o Criador? Como entender a beleza, a ordem, a majestade, a funcionalidade, a imensidão das coisas criadas sem considerar a existência de Deus?
Como não crer em Deus se não há um povo sequer sem religião, em qualquer tempo e em qualquer lugar? Como não crer em Deus se até hoje o secularismo, o materialismo, o agnosticismo, o ateísmo e as ideologias, em separado ou todos juntos, não conseguiram apagar da mente humana a ideia de Deus? Como não crer em Deus se os escândalos, a perseguição e as guerras religiosas não foram suficientes para desacreditá-lo por completo? Como não crer em Deus diante do impasse da morte física e do mistério que a envolve?
O céu fechado não diz respeito apenas à incredulidade. Refere-se também à recusa em tratar Deus como Deus. Só depois de sujeitar-se resoluta e alegremente à soberania de Deus é que o ser humano pode exclamar: “Eu estou vendo o céu aberto!”.
Não podemos ser ingênuos. Enquanto alguns evangelizam, outros “desevangelizam”. A arte de atrapalhar a caminhada para o céu aberto existe. Jesus condenou aqueles que não entram “nem deixam que entrem os que estão querendo entrar” (Mt 23.13, NTLH).
A parábola do semeador diz que existe de fato um ladrão de semente: as aves do céu costumam comer as sementes do evangelho lançadas no coração humano, impedindo que elas sequer germinem (Mt 13.4, 19). Os homens não podem crer porque, segundo Paulo, “o deus desta era cegou o entendimento dos descrentes, para que não vejam a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (2Co 4.4). Todavia, a situação não é irreversível, pois os que querem sair da escuridão que os envolve e entrar no céu aberto podem e devem contar com a graça de Deus. Porque “esse véu só é tirado quando a pessoa se une com Cristo” (2Co 3.14, NTLH)!
A questão é que há outras situações de céu aberto mais importantes do que a de sentido literal. No mesmo livro de Atos há uma referência a céu aberto como metáfora, referindo-se à visibilidade de Deus e de sua glória. Trata-se do episódio envolvendo o primeiro mártir da história do cristianismo. Estêvão estava sendo apedrejado. A dor era enorme. A morte, iminente. Ninguém estava por perto para suspender o apedrejamento. Ele olha firmemente para o céu e vê a glória de Jesus Cristo. Então, Estêvão exclama: “Olhem! Eu estou vendo o céu aberto!” (At 7.56, NTLH). No derradeiro momento da vida, esse fervoroso cristão vê o céu aberto e não a escuridão da maldade humana e da morte.
Há nuvens espessas e muito escuras que se colocam entre a criatura e o Criador. É uma espécie de véu que encobre Deus e as demais realidades. Isso infelicita muita gente porque os priva de Deus -- sem o qual a alma geme o tempo todo. É mais fácil e menos complicado crer em Deus do que não crer nele. No entanto, essa nuvem ou esse véu esconde do homem aquele por quem ele aspira sem saber. Como entender a criação sem o Criador? Como entender a beleza, a ordem, a majestade, a funcionalidade, a imensidão das coisas criadas sem considerar a existência de Deus?
Como não crer em Deus se não há um povo sequer sem religião, em qualquer tempo e em qualquer lugar? Como não crer em Deus se até hoje o secularismo, o materialismo, o agnosticismo, o ateísmo e as ideologias, em separado ou todos juntos, não conseguiram apagar da mente humana a ideia de Deus? Como não crer em Deus se os escândalos, a perseguição e as guerras religiosas não foram suficientes para desacreditá-lo por completo? Como não crer em Deus diante do impasse da morte física e do mistério que a envolve?
O céu fechado não diz respeito apenas à incredulidade. Refere-se também à recusa em tratar Deus como Deus. Só depois de sujeitar-se resoluta e alegremente à soberania de Deus é que o ser humano pode exclamar: “Eu estou vendo o céu aberto!”.
Não podemos ser ingênuos. Enquanto alguns evangelizam, outros “desevangelizam”. A arte de atrapalhar a caminhada para o céu aberto existe. Jesus condenou aqueles que não entram “nem deixam que entrem os que estão querendo entrar” (Mt 23.13, NTLH).
A parábola do semeador diz que existe de fato um ladrão de semente: as aves do céu costumam comer as sementes do evangelho lançadas no coração humano, impedindo que elas sequer germinem (Mt 13.4, 19). Os homens não podem crer porque, segundo Paulo, “o deus desta era cegou o entendimento dos descrentes, para que não vejam a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (2Co 4.4). Todavia, a situação não é irreversível, pois os que querem sair da escuridão que os envolve e entrar no céu aberto podem e devem contar com a graça de Deus. Porque “esse véu só é tirado quando a pessoa se une com Cristo” (2Co 3.14, NTLH)!
Revista Ultimato - Ed.329 (Mar/Abr)
12/14/2011
"Hitler, Roberto Jefferson e eu" por Manu Magalhães
Um estudo feito na universidade há alguns anos, substituiu o texto bíblico de João 8 por uma paráfrase, em que Jesus andava pelas calçadas de Brasília quando a Polícia Federal lhe apresenta Roberto Jefferson. Ao ser questionado sobre a atitude a ser tomada, Jesus rabisca seu bloquinho e responde: “Aquele que nunca cometeu um erro, aperte a primeira algema”.
Esse texto, assim interpretado, me causou muito desconforto. Fiquei imaginando se a paráfrase se desse na Alemanha e Jesus dissesse ao exército que deteve Hitler: “Aquele que nunca cometeu um erro, que aperte o primeiro gatilho”.
Toda paráfrase é obviamente deficiente, e reconheço a gritante desproporção das consequências sociais do pecado da mulher adúltera, de Jefferson e de Hitler. Entretanto, o ponto não é analisar a crueldade do pecado, mas evidenciar a grandeza e o escândalo do perdão divino.
Houve um Deus que, por causa dos erros dos homens, deixou de lado sua glória e majestade supremas para sentir a fundo a dor e a alegria de ser um humano. Só isso já seria suficiente para nos levar a mão à boca, mas ainda há mais. Esse Deus, em nossa pele, teve desejos tão intensos e tão “incontroláveis” como nós, sede de poder, de aceitação, tentações das mais abomináveis às mais sutis. Entretanto, resistiu. Esse Deus encarnado poderia usar tal prerrogativa para ser implacável com nossas falhas. Porém, para nosso espanto, cedeu misericórdia à justiça e usou sua experiência humana para criar uma ponte. Ele se fez um de nós para fazer de nós um com ele.
É com essa perspectiva que releio o pequeno estudo, confrontando o sentimento do Deus encarnado, o Cristo, com os meus. Por que me causa incômodo pensar que ele perdoaria (ou melhor, perdoa) pessoas tão abomináveis? Por que meu primeiro impulso é encontrar erros nessa paráfrase, fazer ressalvas ou questionar a validade do exercício criativo em vez de me sentir profundamente agradecida por ele haver se importado com pessoas tão desprezíveis como Jefferson, Hitler e “eu”?
O perdão ensinado por Cristo não visava esmigalhar a estima de quem errou, tampouco engrandecer sua própria retidão e justiça. Sua meta era reconciliar. É por isso que o perdão genuíno é tão importante nos relacionamentos. Ainda que alguém tenha cometido alguma injustiça contra mim, não há motivos para que eu a humilhe por seus erros ou louve a correção de minha conduta. O exemplo de Cristo não ignora pecados e virtudes, mas não é a eles que enfatiza. Perdão que não reconcilia não passa de mera desculpa.
O perdão que Cristo propõe é custoso. Engolir o próprio ego e, tendo o poder de castigar, preferir não acusar quem nos prejudicou, não é tarefa indolor. Nossa tendência é pensar que estamos sendo condescendentes com o erro quando, na verdade, estamos apenas promovendo a libertação. Ao perdoar, libertamos o outro da culpa e a nós mesmos do ressentimento e do orgulho. O perdão não faz o outro ascender ao nosso nível, mas eleva ambos ao nível de Cristo. Este, sim, é o verdadeiro escândalo do perdão.
• Manu Magalhães tem 24 anos, é jornalista e gosta de trabalhar com música e discipulado.
Esse texto, assim interpretado, me causou muito desconforto. Fiquei imaginando se a paráfrase se desse na Alemanha e Jesus dissesse ao exército que deteve Hitler: “Aquele que nunca cometeu um erro, que aperte o primeiro gatilho”.
Toda paráfrase é obviamente deficiente, e reconheço a gritante desproporção das consequências sociais do pecado da mulher adúltera, de Jefferson e de Hitler. Entretanto, o ponto não é analisar a crueldade do pecado, mas evidenciar a grandeza e o escândalo do perdão divino.
Houve um Deus que, por causa dos erros dos homens, deixou de lado sua glória e majestade supremas para sentir a fundo a dor e a alegria de ser um humano. Só isso já seria suficiente para nos levar a mão à boca, mas ainda há mais. Esse Deus, em nossa pele, teve desejos tão intensos e tão “incontroláveis” como nós, sede de poder, de aceitação, tentações das mais abomináveis às mais sutis. Entretanto, resistiu. Esse Deus encarnado poderia usar tal prerrogativa para ser implacável com nossas falhas. Porém, para nosso espanto, cedeu misericórdia à justiça e usou sua experiência humana para criar uma ponte. Ele se fez um de nós para fazer de nós um com ele.
É com essa perspectiva que releio o pequeno estudo, confrontando o sentimento do Deus encarnado, o Cristo, com os meus. Por que me causa incômodo pensar que ele perdoaria (ou melhor, perdoa) pessoas tão abomináveis? Por que meu primeiro impulso é encontrar erros nessa paráfrase, fazer ressalvas ou questionar a validade do exercício criativo em vez de me sentir profundamente agradecida por ele haver se importado com pessoas tão desprezíveis como Jefferson, Hitler e “eu”?
O perdão ensinado por Cristo não visava esmigalhar a estima de quem errou, tampouco engrandecer sua própria retidão e justiça. Sua meta era reconciliar. É por isso que o perdão genuíno é tão importante nos relacionamentos. Ainda que alguém tenha cometido alguma injustiça contra mim, não há motivos para que eu a humilhe por seus erros ou louve a correção de minha conduta. O exemplo de Cristo não ignora pecados e virtudes, mas não é a eles que enfatiza. Perdão que não reconcilia não passa de mera desculpa.
O perdão que Cristo propõe é custoso. Engolir o próprio ego e, tendo o poder de castigar, preferir não acusar quem nos prejudicou, não é tarefa indolor. Nossa tendência é pensar que estamos sendo condescendentes com o erro quando, na verdade, estamos apenas promovendo a libertação. Ao perdoar, libertamos o outro da culpa e a nós mesmos do ressentimento e do orgulho. O perdão não faz o outro ascender ao nosso nível, mas eleva ambos ao nível de Cristo. Este, sim, é o verdadeiro escândalo do perdão.
• Manu Magalhães tem 24 anos, é jornalista e gosta de trabalhar com música e discipulado.
Revista Ultimato - Ed.329 (Mar/Abr)
12/02/2011
Cinco razões para ler o livro de Daniel em dezembro
O livro de Daniel é fantástico, surpreendente e dificílimo de ser interpretado. Todo estudioso de escatologia vê em Daniel uma barreira quase intransponível, se não fosse a ajuda do Espírito de Deus e de muitos, mas muitos livros mesmo de exegese e teologia geral para nos ajudar a entender o ponto de vista profético dos escritos de Daniel.
Claro que a história contida no livro é maravilhosa. Como a comida da mesa do Rei oferecida aos jovens hebreus, os amigos de Daniel na fornalha ardente, Daniel na cova dos leões, enfim uma porção de histórias maravilhosas, mas acompanhadas de muita profecia também. História e profecia caminham juntas.
Esta compreensão fez com que Daniel se torna-se um grande estadista e um homem prospero num Reino pagão. Por isso Daniel é imprescindível para os dias de hoje. Precisamos pregá-lo, tanto sua história como sua visão do futuro.
O próprio livro propõe que ele seria melhor compreendido no tempo do fim, isto é, em nossos dias. Claramente os sinais apontam cada vez mais para um beco sem saída na história da humanidade.
Gostaria de convidar você a ler o livro de Daniel neste mês de dezembro, e lhe dar pelo menos cinco razões porque ele deve ser lido:
1. Porque essa é a maneira que Deus usou para revelar seu propósito no tempo do fim.
2. Porque sem a profecia, você perde o ponto de que Deus é soberano sobre a história.
3. Porque precisamos de lições de profecia, tanto quanto precisamos de lições da história.
4. Porque precisamos aprender a lidar com passagens que podem não serem fáceis para nós.
5. Porque em breve as profecias de Daniel se cumprirão, como se cumpriram todas as profecias bíblicas.
A Ele toda a Glória
Por
Bruno dos Santos é Diretor do VidaSat Comunicações, Coordenador Geral da CIA (Coalizão das Igrejas Apostólicas) e pastor da Igreja Vida Nova em São Paulo. Escritor e Conferencista, é formado em Teologia com especializações em Novo Testamento e Liderança. Casado com Silvia Regina, é pai do Lucas, da Laís e da Ana Luiza.
Fonte: www.guiame.com.br
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