3/31/2011

O Profeta da Justiça Social

No segundo semestre de 2010, enquanto cursava da disciplina Teologia Bíblica do Antigo Testamento com o Professor Josias, tive a oportunidade de me aprofundar no conhecimento acerca do profeta Amós. Personagem central do livro “O Profeta da Justiça Social” de Antônio Bonara, Amós era um homem do campo, que cuidava de bois e colhia sicômoros. Sua terra, Tecoa, ficava cerca de 10 km ao sul de Belém, sendo uma região de pastoreio, privilegiada por montanhas com uma altitude de 850 metros. Ele vivera num tempo de riquezas e imoralidade permeando o período de reinado de Uzias em Judá e Jeroboão II em Israel.
A história nos revela que Jeroboão restaurou as fronteiras do reino do norte, trazendo riqueza e abundância no seu reino. Todavia, junto com a abundância, havia o materialismo. E junto com o materialismo, a imoralidade, a exploração das classes baixas, além de seus cerimoniais vazios.
A profecia de Amós é justamente para esse reino do norte, Israel. A sua mensagem é um lamento pela situação do povo.
Deus está profundamente aborrecido com o seu povo eleito; por isso o disciplinaria. Amós descreve de forma dura a situação de Judá e, principalmente de Israel. A questão principal estava no fato de que eles rejeitaram a lei de Deus e não guardaram os seus estatutos; transformaram a mensagem de Deus em algo amargo, atirando-a ao chão: “... rejeitaram a lei do Senhor, e não guardaram os seus estatutos, antes as suas próprias mentiras os enganaram, e após elas andaram seus pais”... “Israel não sabe fazer o que é reto, diz o Senhor, e entesoura nos seus castelos a violência e a devastação” (Am. 3.10). Como resultado da desobediência à lei de Deus, todas as relações estão transtornadas, marcadas pelo domínio do pecado.
Aqui, vem o ponto capital. Não queriam ouvir a Palavra de Deus; para tanto procuravam corromper os mensageiros de Deus. A mensagem profética era entendida como conspiração. O trágico de tudo isso, é que a mensagem que eles não queriam ouvir era justamente a que poderia salvá-los, porque Deus lhes falava através do profeta; no entanto, eles não queriam que este profetizasse: “Certamente o Senhor Deus não fará cousa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Am. 3.7). “Aborreceis na porta ao que vos repreende, e abominais o que lhe fala sinceramente” (Am. 5.10).
Amós, fiel ao seu chamado, testemunha contra a tentativa do povo em silenciá-lo: “Mas o Senhor me tirou de após o gado, e me disse: Vai e profetiza ao meu povo Israel. Ora, pois, ouve a Palavra do Senhor: Tu dizes: Não profetizarás contra Israel, nem falarás contra a casa de lsaque” (Am. 7.15-16 / Am. 2.12).
Enquanto o povo não ouvia o profeta, alimentava-se de mentiras. Deus aponta para a insensibilidade espiritual do povo em se converter a ele. (Do mesmo modo Ageu 1.9-11). Deus diz que puniria o seu povo; o abandonaria. Ele não era subornável mediante cultos mecânicos que não alteravam em nada o seu comportamento; o povo apenas gostava do ritual.
O ritualismo vazio pode ser ilustrado na vida de Israel. Os povos costumam ter seus lugares sagrados, marcos de grandes acontecimentos ou da existência de grandes personagens. Para lá se dirigem objetivando prestar seu culto ou mesmo buscar inspiração. O povo de Israel também tinha esta prática; o livro de Amós nos fala de três lugares:
a) Betel: Jacó teve uma visão de Deus e conclui dizendo que Deus estava naquele lugar. Aqui, Jacó saiu com uma nova perspectiva de vida amparada na promessa de Deus. Mais tarde, Jacó foi a Betel lembrando-se de que Deus se revelara a ele anteriormente e agora, teve uma nova experiência; Deus lhe falara, mudou seu nome; ele já não mais se chamaria Jacó, mas Israel. Betel significava a presença de Deus e o seu poder renovador.
b) Gilgal: Josué erigiu um monumento com doze pedras após atravessar a pé enxuto o rio Jordão. Também ali, os homens que nasceram no deserto foram circuncidados e o povo participou da páscoa. Gilgal era o santuário que proclamava a herança e a posse da terra prometida de acordo com a vontade de Deus.
c) Berseba: Abraão fez aliança com Abimeleque e invocou o nome do Senhor. Abimeleque disse a Abraão: “Deus é contigo em tudo o que fazes” (Gn. 21.22).
Deus não deseja que o povo procure mecanicamente os lugares de culto, por eles mesmos corrompidos, mas que o busque, para que tenham vida. Buscar a Deus é o oposto a meras peregrinações a lugares sagrados, a santuários como em Betel, Gilgal ou Berseba; estes santuários juntamente com o povo estavam sob julgamento.
Por causa de seus pecados, Israel seria destruído, sendo levado cativo. Israel deve se preparar para se encontrar com o Senhor, e prestar contas a ele. No entanto, a mensagem de Deus permanecia até o último instante conclamando o povo a uma atitude de arrependimento e de busca de Deus. A única solução para Israel estava na proclamação de Amós: “Buscai ao Senhor e vivei” (Am. 5.6).
Igualmente ao período de Amós, a religiosidade tem feito com que pessoas deixem de ser os adoradores que o Pai procura, tornando-os meros cumpridores de rituais. É preciso focar nos ensinamentos de Cristo para não ficarmos a deriva no mar da vida, como bem ilustrou o Pr. Pires na aula de Ética Cristã.
Sendo assim, a única solução para o nosso tempo é exatamente a mesma de Israel naquele tempo: “Buscai ao Senhor e vivei” (Am. 5.6).

Esse texto foi produzido baseados nas seguintes fontes:
Bíblia Sagrada – Livro de Amós
O Profeta da Justiça Social – Antônio Bonara
Diversos Sites e Blogs na Internet

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